Thursday, 19 September 2024

Tempus e Rha

 Story

Kyllette

Chapter 4

Tempus e Rha

Ele está completando o que passou um bom tempo fazendo, não é pouca coisa se unir a um ser como os Deuses das Areias do Tempo.

O processo não foi anotado, e não teria como fazer novamente, a não ser porque ele escolheu mais quatro pessoas para fazer a tranformação também, o que fazia dele um líder, não apenas um ser evoluído – "Areias do Tempo",... pensa ele.

Anthonius Iha estava em seu escritório, na Rua Outono, quando ouviu uma voz conhecida, de Tempus: – "Rha, eu quero ser mais uma vez", foi o que o imortal ouviu de sua consciência – Vou criar você – foi o que o vampirou ouviu.

O deus de repente estava olhando para ele mesmo.

– Me dê do seu sangue – o vampiro pede.

– Acho que dessa vez vamos ter uma nova missão.

– O que você quer dizer com isso?

– Você vai saber disso amanhã; por enquanto, meu sangue.

E o imortal dá seu sangue ao vampiro, e ele avança.

Assim sendo, Tempus bebe o sangue, e vai se deitar, tremendo meio sem controle. O Egípcio, então, fecha a janela e a cortina. Está uma noite fria para essa época do ano, e mais, não tem uma nuvem no céu dessa noite.

Tempus começa a tremer, e é envolvido por uma energia obviamente sobrenatural, enquanto Anthonius só observa.

O tempo, ele não fez mais sentido. Um calafrio terrível, de vazio. Aquilo que todos temem, a dor era tão grande que o que quer que Tempus fosse antes agora ele está deixando de ser; para ser, para existir numa nova forma.

A noite foi se passando, para Anthonius, mas Tempus não se move.

Ele sente todo o seu corpo, dor em cada célula dele.

Um longo tempo se passou sem que alteração nenhuma acontecesse, somente a dor exageradamente grande que Tempus sentia em todo o corpo, até que de uma hora para a outra seu coração acelerou, e parecia bater para parar essa agonia.

A agonia não terminou aí, mas continuou por todo o dia.

Anthonius aproveita para fazer umas anotações, agora que seu vampiro favorito estará de volta à ativa; ele provavelmente não vai se preocupar se não se lembrar de tudo ainda, mas O Egípcio está planejando umas coisas, umas coisas bem interessantes.

A noite chegou, e com ela Tempus sentia que a dor seria para sempre.

O Egípcio viu as horas no relógio de ponteiro na parede.

"Está na hora", foi o que ele pensou, e foi para seu quarto para ver Tempus.

Espera uns vinte minutos de agonia do novo vampiro, que nasce mais uma vez, e Tempus de repente sente o coração diminuir muito. De repente, ele sente que a agonia não está mais sendo sua principal forma de preocupação; tem alguém aí onde ele está.

A sensação de ameaça lhe invade, mas não consegue se mover.

Isso se somou ao novo nível de dor que ele sentia, e fez com que suas memórias fossem quase uma sombra do que já foram. De repente, ele se lembra de todas as suas vidas como vampiro, e de porque O Egípcio o transformava – ele tinha suas memórias, sendo desperto.

Ele é uma criatura da noite, que vaga ao invés do deus.

Uma memória que se torna viva, uma pessoa, criado a partir do próprio Deus do Egito, por ele mesmo. Tempus não é mau. É uma memória, desde quando o deus desvendou como criar um vampiro, faz quinze milhões de anos.

Então, ele se lembra de que foi ele que fez os vampiros se esconderem, e terminou uma era de culto aos imortais bebedores de sangue; eles se esconderam porque havia guerra, e suas linhagens seriam caçadas – e caçadores surgiram, há doze milhões de anos, para confirmar o que Tempus havia dito aos imortais.

A agonia termina, e o coração para de bater; ele existe mais uma vez.

Tempus se senta, e vê Rha sentado em um canto.

– Achei que isso não iria terminar mais – é o que diz o deus.

– Não consigo falar sobre isso – pede o imortal, agora.

– Eu havia dito que dessa vez seria um pouco diferente, não é?

– Eu preciso de sangue – ele pede, e Rha estica o braço; o vampiro morde seu pulso, e bebe, mas só um pouco, depois lambe e a ferida se fecha.

– Agora, – diz o deus – me dê do seu sangue; mas coloque o poder de Sangue nele.

– Você quer ser transformado?! Você nunca fez isso,...

– Descobri como vencer a Agonia, e só tem um jeito de fazer isso.

– Tem certeza? Vou te dar do meu sangue, então.

Tempus morde seu próprio pulso, e carrega o seu sangue com o poder que a Agonia, como diz O Egípcio, lhe deu. Anthonius bebe. Ele diz que vai se deitar, mas que vai levantar, e não é pra Tempus interferir porque ele precisa se concentrar.

Anthonius, então, enfrenta a Agonia; mas, já já se levanta.

Diz que vai fazer um café, e convida Tempus, que apenas dá um risinho torto.

O Egípcio não demonstra sinais de transformação.

(Fim do Cap 4)

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