Sunday, 5 January 2025

Anos diante de Vikhy

 Story

Kyllette

Chapter 6

Anos diante de Vikhy

Essa noite fria, em um inverno de quatro anos antes da chegada de Vikhy a Eaubat, tem de tudo para ser apenas mais uma noite na vida, ou melhor, na eternidade de Adur. Ele é um vampiro, um bebedor de sangue. E também, imortal. Ele é um sanguinius, nome dado pela língua interstaelar a esses que vagam pela noite eternamente.

Mas Adur não esperava nada demais dessa noite.

Ronen se virou para seu companheiro de caçada, olhando com medo de cima para baixo.

– Tem certeza que ele não sabe de nada, Kenter?

– Tenho, Ronen – disse o mais velho – Vamos pegar ele de surpresa.

Vikhy recebeu essa informação porque ficou observando o passado da região das montanhas do continente oeste, e sabia que Adur teria morrido na noite em que isso aconteceu, mas a agora bruxa resolveu mudar isso.

Não é muito fácil se comunicar com o passado, só com seus ativos, o que na verdade não é o caso.

– "Adur, tem dois caçadores te perseguindo; e eles vão entrar em cinco minutos".

– Quem é você? – mas não teve resposta, ele esperou por isso.

Rapidamente, ele se recostou numa cadeira e saiu do corpo (Vikhy descobriu o porquê era tão importante salvar ele), verificando tudo, a casa e todos os arredores, para finalmente encontrar os caçadores, que não podiam vê-lo.

Adur se acercou deles, e mordeu o mais velho, que engasgou sem conseguir falar.

Ainda que não pudesse gritar, ele cutucou o mais jovem, que tirou um símbolo religioso e fez um sete com o símbolo em pleno ar, e Adur então não conseguiu mais beber o sangue do caçador, soltando o pescoço dele.

– Ele está aqui! – grita o mais velho.

Então, Adur volta ao corpo, vendo qual era o real problema.

– Fé verdadeira,... Obrigado a você que me alertou, seja você quem for – Adur abriu um armário e, sob um fundo falso, havia uma arma.

Ele verificou a arma, estava pronta para o uso, e se ocultou nas sombras ao lado da entrada.

Um barulho alto pode ser ouvido, e os caçadores estavam dentro.

Passaram pelo imortal sem nem notar que ele estava lá, e ele mirou, não podia errar.

Agora, um barulho muito alto pode ser ouvido, e o jovem caiu no chão.

O mais velho estava se virando, quando Adur pegou ele por trás, e cravou os dentes na sua garganta; ele tentou forçar, se soltar, mais o tempo ia passando, e nada das mãos fortes do imortal soltarem seu pescoço e braços.

Então, finalmente, Adur viu que ele não iria mais sobreviver, e soltou. Sua mente estava cheia de rituais religiosos, e do treinamento que ele havia dado ao mais jovem; enfim, era um caçador de uma linhagem, outros viriam para ver o que aconteceu.

Ele morreu sem sangue, e havia também o barulho do tiro.

– "Vou ocultar o barulho do tiro; e você só precisa se livrar dos corpos", ele ouve.

– Santa Causa! O tiro não fez barulho algum! Quem é você?! – Adur se assombra.

Não ouve resposta, e se põe na missão de eliminar os corpos. Primeiro, ele liga para um de seus doadores, e diz a ele que foi atacado, precisa sair da região, mudar de identidade; ele era infiltrado na polícia local, e juntos, eles se livraram dos corpos.

Na noite seguinte, ele dorme durante o dia, Adur acorda vivo na casa do seu doador.

– "Boa noite", foi a primeira coisa que ele ouviu – "Vou me identificar; eu me chamo Vikhy, e estou falando com você do futuro. Não posso falar mais, porque a comunicação é muito difícil com o passado; eu estou investigando os caçadores", disse a nova bruxa, agora já tendo conhecimento da língua dessa região, faz apenas dois meses que ela passou pela nova transformação, deixando de ser vampira.

– Bom, bom – diz ele, sério mas alegre – Se souber de mais alguma coisa, me avise.

Adur nunca tinha ouvido o nome dessa vampira, e imaginou que ela havia vindo de outro mundo, dado o sotaque. Assim sendo, ele começou então a investigar os caçadores, tendo em sua mente as memórias do caçador que ele eliminou.

No presente, Vikhy se solta no sofá, toda suada e tremendo. Ela usou toda a sua concentração para falar essas poucas vezes com o passado e, agora, espera pela visita do imortal que ela salvou.

A campainha toca, ela saca a varinha e vai atender.

(Fim de Capítulo)

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